sexta-feira, 9 de maio de 2008

Ágape



Alguns de vocês (que aqui vão passando apesar de ainda não terem o hábito de deixar comentários...) perguntam o porquê de nós insistirmos em publicar pedidos de ajuda de outros meninos e respectivas famílias - na maior parte dos casos para irem a Cuba fazer tratamentos... Porque é que nós, como família do Principezinho, também não insistimos e não desisitimos desta hipótese de recuperação dele?!?

Bem, essencialmente resume-se ao facto do Principezinho sofrer de uma Doença Pulmonar, que não lhe permite ter capacidade respiratória para aguentar a intensidade dos tratamentos que exigem em Cuba.

Esta é a principal razão. Não somos pais que cruzem os braços e que apenas esperem para ver qual será o desenvolvimento que o Principezinho poderá ter...

Somos PAIS.

MÃE & PAI.

Antes e acima de qualquer coisa.

E, por isso, somos capazes de fazer qualquer coisa pelo nosso FILHO.
(coisa que muitos "pais" não são capazes de compreender porque nem sequer são capazes de faltar aos emprego 1 dia para ficar em casa com o filho febril!...)

Eu própria abdiquei da minha vida profissional e pessoal neste último ano para garantir o bem-estar e o acompanhamento necessário ao Principezinho..,

Porque ele precisa de cuidados de saúde continuados e não há instituição que dê resposta...

Porque ele precisa de Terapias: Fisioterapia, Terapia Ocupacional, Terapia da Fala (incluindo a vertente de Alimentação)... que também não há respostas!

De todas estas que ele necessita tem apenas Terapia Ocupacional - 1 hora por semana (e é quando este dia não coincide com a consulta de Pneumonologia...).

Na realidade este horário torna-se ridículo se tivermos em conta as reais necessidades dele.
Por isso, temos que ser nós, em casa, a tentar colmatar estas falhas do sistema (e porque a outra hipótese seria pagar a terapeutas particulares, coisa que é neste momento insustentável para nós).

Mas no fundo, não podemos deixar de pensar em todas as crianças que:
ou estão em listas de espera intermináveis e demasiado morosas
ou cujas famílias nem sequer sabem "para que lado se hão-de virar" porque as instituições NUNCA dão as informações completas (sejam elas Hospitais, Centros de Saúde, Serviços Sociais).

Publicamos outros pedidos de ajuda

Porque sentimos as suas necessidades e porque lhes desejamos o melhor!



A conclusão principal de toda esta dissertação é:

O valor da Solidariedade deve ser alimentado pelas famílias não por ser uma coisa que "parece bem", que dá uma boa imagem de quem a pratica...

Não precisamos de anunciar a toda a gente o que fizémos, quem e como ajudámos...
As pequenas contribuições de solidariedade até costumam ser as mais sinceras.

Deve ser sentido do fundo do nosso ser, de forma a ser uma coisa tão natural que conseguimos realmente sentir o amor de poder ajudar o outro gratuitamente: sentir (praticando) a Caridade.

A Caridade é altruísmo e compaixão, sem procurar algum tipo de reconhecimento ou recompensa.

Sem dúvida que este é um dos maiores valores que a minha mãe doou aos seus filhos e que eu espero, um dia, conseguir passar ao Principezinho!







2 comentários:

lobitas disse...

Concordo contigo, esta capacidade de amar incondicional não é para todos, na minha opinião há pessoas que nem uma vida inteira lhes chega para saberem o que é amar assim. Pior acho que muita gente tem filhos por questões sociais, não merecem sequer se-lo, pois não dedicam nadas das suas vidas egoístas aos filhos.

Gostava de trocar algumas ideias contigo sobre ventilação não invasiva, como te posso contactar???.

Tudo de bom
Beijinhos da alcateia

Grilinha disse...

A nossa realidade deixa muito a desejar...só quem passa por ela sabe.
O nosso princepezinho vai evoluir ao seu ritmo. O ritmo que o seu corpo aguenta e vai aprendendo a potenciar.
O principal está a ser feito.
Um miúdo feliz , educado e inteligente. A outra parte, em cada dia, (infelizmente sem grande apoio profissional), mas uma grande vontade de fazer o melhor de mãe e pai!
Vocês são fantásticos. E o meu principe ainda vai nos dar maiores alegrias...